Há dois anos que não surgia nos ecrãs da TVI e há um que se afastara da televisão – o seu último trabalho fora “A Espia”, para a RTP1 –, mas está agora de volta em “Para Sempre”, que se estreia na segunda-feira, dia 8 de novembro. E desengane-se se pensa que Pedro, a personagem principal desta história, será um herói como aqueles a que estamos habituados. “Ele é muito complicado. O público vai estar sempre a questioná-lo. No passado já fiz alguns papéis do género, mas este não tem ética nenhuma, tem uma espécie de gangue e, muitas vezes, são eles que lhe dizem para se acalmar um bocadinho. Ele não é um protagonista bonzinho”, começa por explicar Diogo Morgado à TvMais, ele que volta a contracenar com Inês Castel-Branco, agora seu par romântico. “O Pedro está num espaço tão negro que a Clara é a boia de salvação dele. E é engraçado porque se conhecem num assalto, ele é um rufia. O choque é grande no início, mas depois ela torna-se na única coisa boa que ele teve desde que foi abandonado. Isto marca-o tanto, tanto, que ele nunca se esquece dela”, antecipa.

Apesar de só agora a novela chegar ao ecrã, as gravações arrancaram em fevereiro e já terminaram. Os tempos de pandemia que vivemos também o ajudaram a compô-lo. “Por sorte ou não, muito daquilo que estamos a viver neste tempo de pandemia está a ser usado nesta personagem. Ele é fruto deste isolamento, desta revolta com o mundo, este sem sentido que estamos todos um bocado a viver, de não sabermos o dia de amanhã”, confidencia, prosseguindo: “O início da produção foi muito duro, muito difícil, por ter muita tensão. Quando começámos, ninguém estava preparado emocionalmente. Tive muita dificuldade em começar com a força com que gosto, mas usei isso para a personagem, nomeadamente a fragilidade que senti a nível pessoal e emprestei-a às zonas de fragilidade de que ela precisava”.

AS MARCAS DA PANDEMIA

Para Diogo Morgado, não só a gravar mas no dia a dia, há muita coisa que mudou. “Apesar de estarmos a seguir com a nossa vida, há algo atrás que não está bem, uma espécie de sombra, aquilo que faz com que os animais levantem voo antes de um tremor de terra, não sei explicar, mas não está bem.” Um dos grandes receios do intérprete é o pós-pandemia, as marcas que vão ficar. “O índice de depressão e ansiedade nunca foi tão grande no mundo”, desabafa, exemplificando: “O meu filho de 11 anos viu interrompido o seu ciclo de crescimento, algum impacto terá. Há muitas famílias que tiveram um impacto brutal nas suas vidas. Não sou pessimista, mas não quero varrer as coisas para debaixo do tapete. É importante ser realista e falar das coisas. Quando o meu filho pergunta quando é que isto vai acabar, eu sou sincero e digo que não sei. Ter consciência do que existe é meio caminho para seguirmos em frente”, finaliza o ator que protagoniza “Para Sempre”, a nova novela da noite da TVI.

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