
Sabia que a nossa alimentação pode ser afetada pelo que sentimos? Isso acontece porque, segundo a psicóloga e especialista em nutrição emocional e emagrecimento, Diana Peixé, o ser humano é guiado principalmente pela busca do prazer. “Quando estamos tristes, zangados e ansiosos, optamos por alimentos que estejam associados ao prazer e ao afeto, que conseguem preencher uma determinada necessidade emocional. Se não estivermos atentos, porém, isso pode causar não só o ganho de peso como também outros problemas, como a compulsão alimentar”, explica. Quer um exemplo? Chega a casa após um dia cansativo de trabalho e quer uma piza. Automaticamente, o seu cérebro associa esse ato a algo bom. Sendo assim, da próxima vez que chegar a casa cansada, a sua mente pedirá automaticamente aquela recompensa. São essas escolhas emocionais que acabam por fazer com que entremos num ciclo vicioso. Damos dicas para comer com mais consciência e manter a sua saúde em dia.
Somos o que sentimos
O cortisol é uma hormona importante, pois deixa o nosso organismo preparado para situações de perigo, mantendo a pressão normal e diminuindo a queima calórica para poupar energia em caso de risco. O problema é que o nosso organismo não sabe a diferença entre uma situação de risco real e imaginária. Assim, em momentos de stresse, tensão, ansiedade e tristeza, por exemplo, o corpo interpreta que estamos em perigo e libera cortisol que, em excesso, aumenta o risco de desenvolvermos diabetes, hipertensão arterial e depressão. Segundo a especialista, quando os níveis do cortisol estão muito elevados, o corpo não consegue queimar gordura e o açúcar vai direto para o abdómen. Veja o que incluir e o que tirar da ementa e quais as mudanças adotar no dia a dia para regular os níveis da hormona.
– Consuma alimentos ricos em triptofano: o aminoácido presente no arroz integral, na soja, nas oleaginosas, carnes, ovos, leite e derivados proporciona prazer e bem-
-estar.
– Diminua a ingestão de cafeína: a substância é estimulante, o que faz com que os níveis de cortisol aumentem. Bebidas que a possuem são: café, chá-mate, chá preto, chá branco, chá verde e refrigerantes
à base de cola.
– Coma de três em três horas: isto não é uma regra, OK? Há pessoas que esperam ter fome para se alimentarem e ficam bem assim. No entanto, se ficar sem comer por muito tempo a deixa ansiosa ou stressa o seu organismo, coma a cada três horas
– Mastigue bem os alimentos: o nosso corpo demora cerca de 20 minutos a entender que está saciado. Por isso, quem come devagar, normalmente, consome 30% menos comida em comparação às pessoas que fazem a refeição em menos de 10 minutos.
– Evite ir às compras com fome: vá após uma das refeições principais, como almoço ou jantar. Quando estamos satisfeitos, tendemos a comprar só aquilo que é necessário e evitamos levar disparates para casa.
– Pratique atividades físicas: natação, corrida e dança ajudam a diminuir o stresse e, assim, regulam
o nível de cortisol. Exercícios de respiração, meditação e alongamentos também ajudam.
Transtornos alimentares
Comer doces após um dia stressante no trabalho ou devorar a comida em momentos de tristeza são exemplos de uma alimentação movida pela emoção. “A compulsão alimentar nada mais é que preencher um vazio, como se a comida fosse um substituto do amor e do colo. A anorexia é a mesma coisa”, afirma. Imagine que discutiu com o seu marido e só pensa em comer um chocolate.
Talvez a deixe aliviada uns minutos, mas não resolverá o problema. “Para mudar a situação, deve analisar o seu comportamento e emoções perante a comida. Veja se comeu para se sentir melhor e se isso ocorre constantemente. Perceba se busca prazeres imediatos para se sentir bem. Analise diariamente. Não tenha vergonha em procurar ajuda de um psiquiatra e/ou endocrinologista”, conclui.