Pierre Crom/Getty Images

Mãe, eu sei que há uma guerra e que a Rússia invadiu a Ucrânia e que há aliados e vítimas e que pode ser a terceira guerra mundial e…”; “Mãe, o Presidente da Rússia é mau ou é maluco ou as duas coisas?”. Estas dúvidas foram partilhadas por Tânia Ribas de Oliveira e são do seu filho mais velho, Tomás, que, com apenas 9 anos, se mostra preocupado com o que está a acontecer na Ucrânia. Tal como aconteceu com a apresentadora de “A Nossa Tarde”, muitos outros pais tentam “explicar o inexplicável”, agora que a guerra é o tema dominante em todos os espaços informativos dos canais de televisão. Mas até que ponto é importante que fale com os seu filhos sobre o conflito armado que faz o mundo tremer? Saiba como lidar com o assunto da melhor forma.

Dizer a verdade ou esconder a realidade tal como é?

Dizer a verdade, sempre! Ter em atenção para adequar o diálogo às idades das crianças, com linguagem simples, sempre que possível.

A partir de que idade deve haver a preocupação de lhes explicar o que está a acontecer?

Desde cedo, aos 4/5 anos. Se já interagem com os pais ou familiares com questões, mesmo que não abordem este assunto em específico, é importante falar sobre ele.

Como explicar?

Muitas vezes eles têm a ideia de que os tanques, bombardeamentos e explosões vão avançar até chegar ao nosso país, uma vez que estão “aqui perto”. É fundamental tranquilizá-los, explicando que tal não vai acontecer assim!

Explique sempre numa linguagem simples e direta e tenha em atenção todas as dúvidas que lhe ponham. Nunca deixe nenhuma questão por responder.

Uma vez que é primordial educar para a “não violência”, que registo devemos usar nesta conversa?

Explique sempre que a violência jamais será a solução! Em todos os momentos e circunstâncias, por maiores que sejam os problemas, há sempre forma de solucionar sem recorrer à violência. Sublinhe que existem sempre outras formas de resolver os problemas.

Como preparar a conversa?

Use uma comunicação verbal e não verbal, tranquila, sem exageros e que transmita calma, segurança e proteção.

A melhor forma de preparar este tipo de conversa é estar devidamente informada de tudo o que se está a passar, bem como do contexto político e socioeconómico que envolve toda a situação, pois, consoante a idade, a complexidade das perguntas vai aumentar e aqui não há margem para hesitações, é preciso ser claro e conciso no que se vai explicar. Caso não saiba alguma resposta, seja sincera e pesquisem juntos, para os esclarecer melhor e não permitir que haja espaço para dúvidas. Tudo deve ser conversado para abafar um pouco os mal-entendidos ou desinformação que se vai instalando com conversas na escola.

Que frases devemos “ter à mão” para nos auxiliar?

Mais do que ter frases à mão, porque a situação soluciona-se facilmente com linguagem simples e acolhedora, consideraria mais importante dar espaço à criança para dizer o que está a sentir, validar as suas emoções e permitir que ela coloque as suas dúvidas e que faça perguntas.

Será que devemos limitar o acesso à informação/imagens?

Sim, sempre que possível não deve expor a criança ou jovem a informações ou imagens, sobretudo após a hora de almoço. Caso aconteça, tire um pouco do seu tempo para estar com a criança ou jovem e esclarecer dúvidas que possam ter ficado de algo que tenha visto ou ouvido. Dê tempo à criança para se manifestar e expor o que a inquieta.

Fique atenta!

Lembre-se sempre que as crianças apercebem-se de tudo o que as rodeia e estão muito mais alerta do que por vezes imaginamos! No entanto, trata-se de um tema muito sensível que pode levar a insónias, mal-estar físico ou psicológico e que merece toda a nossa atenção.

Tal como na educação do dia a dia, também no esclarecimento de temas sensíveis como este, mantenha sempre presente que o amor deve prevalecer em todas as situações das nossas vidas.

Agradecimentos: Marta Martins Leite, psicóloga clínica Clínicas Leite

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