O amor falou mais alto! Diogo e Patrícia Carmona fizeram as pazes. Numa entrevista lado a lado, o jovem ator e a mãe explicam como, gradualmente, recuperam a relação e apagam das suas vidas o período que os levou à barra do tribunal e à condenação do artista por violência doméstica.

Depois de um período mais complicado, fez as pazes com a sua mãe. Como é que isto aconteceu? Quem tomou a iniciativa?
Foi inesperado e foi uma opção minha ligar à minha mãe. Telefonei-lhe e voltámos a ver-nos. Reconciliámo-nos. Foi a melhor a reconciliação que fiz na vida. Tem sido uma relação muito diferente, comparada com os conflitos que tivemos no passado, que foram bastantes. Estamos ótimos. Já não discutimos.

Sentiu essa necessidade de voltar a estar com ela?
Sim.

De que sentia mais falta?
Sentia solidão. Tenho estado bastante sozinho. E acho que ninguém melhor do que a nossa mãe para nos compreender. A minha mãe é também minha amiga, e isso é muito importante. Não tenho muitos amigos neste momento. É das pessoas que mais me acompanha e compreende. E não vejo mais ninguém para o fazer.

Teve medo que ela rejeitasse a chamada, que dissesse que não estava disponível?
Estava a ter um ataque de ansiedade quando lhe liguei. Estava muito mal. Liguei-lhe ofegante. Nem pensei muito bem nas consequências e acabámos por nos encontrar uns dias depois.

Patrícia, como recebeu esta chamada do Diogo?
Foi um misto de sensações, foi estranho. Porque não sabia o porquê de ele me estar a contactar. E das últimas vezes que nos encontrámos não foi nas melhores circunstâncias. Mas, essencialmente, senti uma grande felicidade. Era o que eu mais queria.

Como foi a aproximação?
Patrícia: Foi lenta, natural e muito boa. Havia alguma tensão de ambas as partes, o que atribuí um pouco à ansiedade. Foi devagar, até chegar a esta relação que temos hoje. Para mim, é recomeçar tudo. Uma nova vida, uma nova realidade para a vida dele e para a minha. É uma adaptação diária, mas sinto que temos uma relação sólida, como, se calhar, nunca tivemos. 
Diogo: Sinto que esta relação está no estado em que está porque amadureci bastante e a minha mãe também. Sinto que ela continua a aprender a ser mãe, tal como eu continuo a aprender a ser filho, e fazemos essa aprendizagem juntos.

O que acha que o fez amadurecer?
Diogo: O fator principal foi estar a viver sozinho. Depois do acidente, senti necessidade de me afastar de todas as pessoas. Afastei-me de todos os meus amigos. E, por causa da pandemia, tive de estar ainda mais sozinho, mais no silêncio, e isso fez com que chegasse a uma data de conclusões.  

Escrever o livro foi importante?
Diogo: Foi, se bem que podia ter sido melhor. Hoje escreveria de uma maneira diferente. Tenho uma perspetiva diferente sobre as coisas. Mas acredito que se as coisas tomam este rumo agora é porque tinha de ser. Acredito na lei do destino, uma força maior.

Está arrependido do que escreveu?
Diogo: Sim. Na altura estava magoado com a minha mãe. Não queria falar mal da minha mãe e uma semana depois conversar com ela. Tentei ser o mais imparcial possível…

Pediram desculpas um ao outro?
Patrícia: Não senti necessidade e acho que ele também não. Os clichês – e um pedido de desculpa é um clichê – podem não ser tão importantes como algumas atitudes. Já lhe pedi desculpa em várias alturas da vida dele. Pode não se lembrar, mas já pedi. As atitudes que temos um com o outro são um pedido de desculpas. Estamos a tentar corrigir os erros que ambos cometemos. Há sempre dois lados da história, aprendi isso agora. A minha verdade pode não ser a verdade dele. Nós continuamos a ser muito diferentes, e a divergir nas nossas opiniões, mas temos de lidar com isso para não cometermos os mesmos erros. Somos mãe e filho e temos de nos respeitar.

Fez as pazes com a sua mãe e o resto da família?
Eu estou em paz e quero que os outros também estejam. E há pessoas que não quero perto de mim. Porque eu sou um universo e o outro também, logo diferentes.

Tiveram ajudas de terapeutas, psicólogos?
Patrícia:
Tive durante todo o período do nosso conflito. E recebi alta há um ano, quando foi a sentença. Volta e meia, falo com o meu psicólogo, mas só por carinho. A ajuda que tive, e ainda tenho, é de amigos. São poucos, mas devo-lhes a vida. E essa é a melhor ajuda: ter as pessoas certas ao lado.
Diogo: A minha maior ajuda foi o desafio de ter de superar as coisas sozinho. Tenho bastante orgulho de mim. Considero-me corajoso. Tento ser essa pessoa, pelo menos. E isso deve-se ao facto de ter estado sozinho. Desde lidar com as finanças, cozinhar, etc. Agora tenho um psicólogo. Sou uma pessoa que pensa muito e vou ao psicólogo para falar. Gosto dele por causa disso: ele fica em silêncio a ouvir-me.

Tem projetos na área da representação?
Não fui convidado e não acredito que vá ser brevemente. Mas gostei de participar no “Golpe de Sorte” [SIC] e de me ver. Gostei da série, apesar de achar que a televisão portuguesa não está no seu melhor.

Isso quer dizer que representação está arrumada?
A representação não está arrumada. É uma doença, um bichinho que não sai. Mas, por outro lado, parece estar, porque não há propostas para mim. E até estou a gostar desta vida. Não gostava de ter uma vida como a do Cristiano Ronaldo ou a da Cristina Ferreira, por exemplo.

Como faz para se gerir?
Recebo uma pensão de invalidez. Sou bastante poupado. Fiz o livro e recebo algum dinheiro disso. E a minha mãe paga-me os almoços, de vez em quando (risos). 

Há namorada à vista?
Estou bem assim. Sinto-me bem sozinho.

Esta foto que aqui recordamos, quando tinha apenas 8, 9 anos… Ainda é o mesmo rapazinho?
Diogo: Aquilo que tenho são memórias. Se me dissessem com aquela idade que a minha vida ia tomar este rumo, obviamente que era bastante inesperado. Mas agora vivo o momento, acho que não devíamos preocupar-nos com o futuro. Sinto-me feliz.
Patrícia: Eu conheço-o e acho que ele tem o direito de sentir que a vida lhe fechou muitas portas. É uma defesa dele, porque se ele pensar muito, sofre. Ainda estamos a sofrer consequências na nossa vida. Ele tem uma capacidade interessante de ver tudo isto, mas é uma defesa. A vida levou-nos para um caminho completamente diferente. Até a nossa família se separou. Falta muito tempo para ele poder voltar a ver a minha mãe. Acredito que isso não seja uma coisa que o faça feliz.

E para si Patrícia, que diferenças existem?
É impossível não sermos pessoas diferentes. A única coisa igual é ser sonhadora e uma mãe completamente babada. Isso não mudou e nunca vai mudar. Agora estou uma pessoa mais tranquila. Nessa altura era bem mais ansiosa.

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